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Manuel
é um impetuoso comediante, um calmo apaixonado. Sua arte corresponde-lhe,
geométrica e espontânea, simultaneamente narrativa e abstracta,
estruturada e explosiva, cores de fogo, frio sarcasmo. Ele é apaixonado
por esta cidade mas o seu pincel recusa a condescendência.
Manuel ironiza ou denuncia. Troça afectuosamente dos caprichos das
gentes que gesticulam ao pé da torre de Belém, urinam sem vergonha
ou se embriagam com as estrelas, mas fere sem rodeio os ridículos
do Narciso crioulo. O novo rico enfatuado é o seu alvo favorito:
ego comprido como membro fálico, peito inchado de touro embrutecido,
olhar estupidificado pela vaidade. Nos momentos realistas, Manuel
Figueira lembra-se de Daumier, deforma os pescoços, expressa os
sentimentos com acentuadas angulações, entra no diálogo dos castanhos
e do negro por fidelidade aos tons de secura. Em compensação representa
o corpo da cidade em termos admirativos. Pinta-a com urgência mesmo
que uma composição lhe tome um ano. Quer antecipar-se aos inevitáveis
ultrajes dos promotores de imobiliários tão bárbaros aqui como em
qualquer parte. Das suas deambulações retém tesouros da arquitectura
que ele justapões num mesmo quadro; cenários do tecido urbano, pedaços
de têxteis. Reina uma ambiência azul de intimidade nocturna semeada
de janelas brilhante iluminadas. Uma outra tela fortemente vermelha
presta homenagem ao relógio de Telégrafo que, há quarenta anos distribuía
o tempo como uma nascente fornece água.
As
pessoas que se encontram nas obras de Manuel Figueira saem da lenda
dos passeios, da mitologia das mornas. Um casal de mendigos descomplexados
pela indigência faz amor em público. As feiticeiras enlaçam os génios
da baía; o ímpeto do seu abraço convoca todas as cores. Sabat sobre
a tela. "O homem do chapéu de Panamá" conduz o baile.
Este anão grotesco tinha o hábito de aparecer de madrugada, de perseguir
o pândego solitário, de lhe impor uma valsa frenética e de o abandonar
sem fôlego e sem alma; imagem da neurose ou da bebedeira? "O
homem do nariz de algodão" procurava amedrontar as crianças
para levá-las a obedecer. Todas estas personagens são locatárias
das telas de Manuel. Este apressa-se em recensear o imaginário de
S. Vicente para se adiantar aos inevitáveis danos que os programas
televisivos, tão bárbaros aqui como algures, infligem à capacidade
de sonhar.
Extracto da obra "CAP-VERT - Notes atlantiques".
Autor: Jean-Yves LOUDE
Manuel
Figueira é natural da ilha de S. Vicente. Possui o Curso
Complementar de Pintura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.
Participou em exposições colectivas durante o período em que viveu
em Portugal ( 1960-1974):
EXPOSIÇÕES:
- Exposição extra-escolar - Escola Superior 'de Belas Artes de Lisboa
1963.
1.º Salão de Claro-Escuro - Sociedade Nacional de Belas Artes 1964.
- Exposição de Alunos da E.S.B.A.L. - Embaixada de Espanha 1964.
- Exposição de poesia ilustrada - Círculo Cultural Luso-Espanhol
1966.
- Exposição Jovens Artistas - Sociedade de Geografia de Lisboa 1967.
- Exposição colectiva de desenho, gravura, pintura e escultura -
Grafil, Galeria de Arte 1974.
- Regressou a Cabo Verde a 5 de Janeiro de 1975, decidido a dar
a sua colaboração na revitalização da cultura popular. Juntamente
com algumas colegas, professoras do Cicio Preparatório, Isabel Duarte,
Luísa Queirós, Alexandrina Freitas, Ciementina Santos e Mercedes
Leite, fundou a Cooperativa Resistência em 1976, com o objectivo
de manter viva a tecelagem tradicional cabo-verdiana.
- De Janeiro de 1978 a Março de 1989, foi Director do Centro Nacional
de Artesanato onde, além da responsabilidade administrativa, orientou
o pessoal artístico concebeu e executou a tecelagem tradicional,
a tapeçaria e a tingidura.
Tem vindo a exercer com regularidade a sua actividade de pintor
desde a sua formação na E.S.B.A.L. em Portugal.
A 15 de Janeiro e a 5 de Julho do ano de 1986 Participou, juntamente
com Luísa Queirós e Isabel Duarte, nas exposições de pintura a óleo
levadas a cabo pelos três elementos nas cidades do Mindelo e da
Praia.
OUTRAS EXPOSIÇÕES COLECTIVAS:
1989 - Exposição de pintura no Centro Cultural Português, em S.
Vicente. Mês de Junho.
- Exposição de Pintura na Direcção Regional do Ministério da I.
Cultura e Desportos, em S. Vicente. Mês de Julho.
- Exposição de Batik nos E.U.A., em Agosto.
- Exposição de Pintura no Centro Cultural Português, na cidade da
Praia. Mês de Outubro.
1990 - Exposição no Palácio do Povo, S. Vicente. mês de Julho.
1991 - Exposição Internacional em Bastogne, na Bélgica. Mês de Maio.
- Exposição Internacional no Banco Mundial, em Washington. Mês de
Maio.
- Exposição no Palácio do Povo, em S. Vicente, a convite da Missão
Austríaca em Cabo Verde. Mês de Novembro.
1992 - Exposição colectiva de artistas cabo-verdianos, no Palácio
Foz, em Lisboa (Comemoração do 75.9 Aniversário do liceu de S. Vicente.
6 de Novembro).
- Representado com a Tapeçaria "Homenagem à Praia da Matiota",
na Expo 92 - Sevilha.
1993 - Exposição de Pintura no C. Cultural Português, na cidade
da Praia. Mês de Março.
1994 - Exposição Mamãe Terra: Artistes du Cap-Vert, na Galeria do
Espace Carpeaux, de 13 de Janeiro a 30 de Abril. Paris e Amiens
- França.
- Exposição Colectiva dos três artistas de Mindelo (M. Figueira,
L. Queirás e 1. Duarte) na Galeria Municipal de Amadora, de 20 de
Junho a 10 de Julho. Portugal.
- Mostra de Arte Cabo-Verdeana. Lisboa 29 de Junho a 10 de Julho.
Culturgest Caixa Geral dos Depósitos - Portugal.
1995 - Exposição Colectiva intitulada - Além da Taprobana - A Figura
Humana nas Artes Plásticas dos Países de Língua Portuguesas, em
Portugal e no Brasil. Organizada pelo Museu de Arte Moderna do Rio
de Janeiro.
- Exposição Colectiva (Manuel Figueira, Luísa Queirós e Isabel Duarte)
de Pintura, no Centro Cultura Português, na cidade da Praia, capital
da Rep. de Cabo Verde. Mês de Abril.
- Exposição de Pintura - Artistas Caboverdianos na Assembleia Nacional,
cidade da Praia, por ocasião da Conferência "ENERGIAS Renováveis".
Mês de Novembro.
1996 - Exposição Colectiva de Pintura, na Sala de Exposições da
Biblioteca Municipal da cidade do Mindelo, ilha de S. Vicente. Mês
de Agosto.
- Painel de Azulejos no Mercado de Peixe, da cidade do Mindelo.
Dimensões 500 em X 300 em.
1997 - Exposição Colectiva de Artistas Cabo-verdianos (KARANTONHA
EXHIBITION), em Boston Center For The Arts. Na cidade de Boston
(E.U.A.). Meses de Maio - Junho.
- Exposição de Pintura, juntamente com a pintora Luísa Queirós,
no Centro Cultural Português, na cidade da Praia, capital da Rep.
de Cabo Verde. Mês de Novembro.
1998 - A pintura, intitulada "Jogo da Bola na Praia da lajinha",
com as seguintes dimensões 213 em X 156 em, esteve patente no stand
da Rep. de Cabo Verde, para a EXPO 98, realizada em Lisboa - Portugal.
- Exposição, juntamente com Luísa Queirós, no Banco Totta &
Açores, na cidade do Mindelo, em S. Vicente.
1999 - Exposição dos quatro pintores de Mindelo (Manuel Figueira,
Luísa Queirós, Tchalé Figueira e Bela Duarte), na Galeria Habari,
Filigradergasse 13 A-1060, em Viena (Áustria). Abertura no dia 15
de Abril.
2000 - Participação no Festival das Artes das Cidades Geminadas
com Coimbra (Exposição na Casa Municipal da Cultura, de 4 a 26 de
Julho).
REPRESENTADO:
No Museu de Ovar, em Portugal, com a obra ,Criança.
- No Banco de Fomento, em Lisboa, Portugal, com a obra (Figuras
na Praia de Banho).
- No Banco Totta & Açores, em S. Vicente, com a obra "Do
Búzio Nascem Estrelas e Cintinaris".
- Na A.N.P., cidade da Praia, com a obra, Mercado de Peixe).
- Na Embaixada de Cabo Verde para a ONU, em Nova lorque, com a obra
(Jogadores de Uril).
- No Palácio da Cultura, cidade da Praia, com a obra (Jogo da Bola
na Praia da Lajinha).
Obras adquiridas por diversas personalidades, nacionais e estrangeiras.
PRÉMIO:
Galardoado com o Prémio, Jaime Figueiredo, instituído pelo Ministério
da I Cultura e Desportos, pela criação da obra , "Mercado de
Peixe", em 1988.
CONDECORADO:
Condecorado, por ocasião do 25º Aniversário da Independência Nacional,
com a 1ª classe da Medalha do Vulcão, pela sua importante actividade
nas áreas da pintura e do artesanato e sua louvável dedicação à
pesquisa e ao magistério. Decreto da Presidência da República n.º2
11/2000.
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